PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA EM CABO VERDE SERIA DESASTROSO PARA AS POPULAÇÕES

CÂMARA MUNICIPAL DE SANTA CATARINA DE SANTIAGO

GABINETE DE COMUNICAÇÃO E IMAGEM

 

 

Intervindo no 8º Fórum Mundial da Água, que se realiza no Brasil, o Presidente Beto Alves sustentou que “a privatização, tout court, inverteria o princípio da água enquanto direito humano”. O Edil de Santa Catarina defendeu, ainda: “não seria má ideia que a ajuda [internacional] a mobilizar nos próximos anos, incidisse particularmente em grandes projetos de dessalinização

Intervindo no painel "Financiamento da água para o futuro", durante o 8º Fórum Mundial da Água, que decorre em Brasília (Brasil) de 18 a 24 de março, o Presidente Beto Alves defendeu, esta terça-feira, 20, que “a privatização da água em Cabo Verde seria desastroso para as populações, pelo menos se esta se regesse pelos princípios orientadores do mercado, de que decorre como objetivo principal das empresas a geração de lucros”.

O Edil de Santa Catarina, que foi convidado pelo Conselho Mundial da Água (ONU), orientou a discussão deste painel e apresentou, ainda, o relatório sobre o debate no dia seguinte – quarta-feira, 21 – em sessão plenária.

“Com reiterados períodos de seca, uma situação que tende a agravar-se nas próximas décadas, o futuro de Cabo Verde, em matéria de água, passa pela dessalinização, mas também pelo uso paralelo das energias renováveis, nomeadamente, a solar, e a eólica, e, eventualmente, no futuro, o recurso à biomassa”, disse ainda o Presidente Beto Alves.

Os números falam por si

Alegando liderar um município “onde a mobilização de água adquire grande importância e, por assim dizer, tem sido historicamente um problema crónico com que nos debatemos”, o Edil de Santa Catarina revisitou a história recente nesta matéria, dando conta dos grandes avanços que se deram no concelho.

“Desde 2008 a esta parte, recorrendo à ajuda internacional e estabelecendo uma estratégia clara e ousada para enfrentar o problema, temos vindo a encontrar as melhores soluções. Desde logo, invertendo uma situação que, dez anos atrás se traduzia assim: menos de 50 por cento do Concelho de Santa Catarina beneficiava de água domiciliária”, avançou Beto Alves.

Recorrendo aos números, para ilustrar os avanços que o concelho teve nos últimos dez anos em matéria de mobilização de água, o Presidente salientou que “quatro anos depois, em 2012, já tínhamos 57% de rede domiciliária; em 2016 já estávamos acima dos 65%. E, tudo indica, chegaremos ao final de 2020 com uma cobertura a 100%.”

“O financiamento do nosso projeto de mobilização de água só foi possível através da ajuda internacional, mas também com parte significativa de recursos públicos. O que releva a importância do financiamento nesta matéria, garantindo o direito humano à água. Um direito – sublinhe-se – inalienável!”, vincou o Edil.

Enfrentar as adversidades

Fazendo um retrato da situação que se vive em Santa Catarina, o Presidente Beto Alves acrescentou que “num concelho predominantemente rural, ao consumo humano acrescenta-se em grande fatia a necessidade de mobilização de água para consumo animal e agrícola, sem a qual seria impossível manter as populações em padrões, mesmo que mínimos, de qualidade de vida”.

“Nos últimos tempos há a registar uma quebra acentuada da capacidade de mobilização de água através de furos, o que determinou que o Governo de Cabo Verde tenha decidido instalar uma dessalinizadora de grande capacidade num município vizinho [São Miguel], por forma a servir toda a região”, informou o Edil.

Ajuda internacional deve estar centrada na mobilização de água

“Para além de ser a forma mais eficaz e eficiente de mobilização de água, pese embora os seus custos elevados, só a dessalinização poderia resolver de vez o problema da escassez de água em Cabo Verde, até porque, daqui por relativamente poucos anos, ao que tudo indica, os furos estarão inutilizáveis”, defendeu o Edil, salientando que “só dessa forma, para além das garantias básicas de fornecimento de água para consumo humano, animal e agrícola, poderemos alguma vez pensar na industrialização do país, mormente no que respeita à transformação de produtos agropecuários tão essenciais para a autossuficiência alimentar de Cabo Verde.”

Segundo Beto Alves, “tendo em conta a dependência de Cabo Verde da comunidade internacional, não seria má ideia que a ajuda a mobilizar nos próximos anos incidisse particularmente em grandes projetos de dessalinização ao longo das nove ilhas habitadas do país”, na medida em que “com água em abundância, todos os outros problemas que obstam a um desenvolvimento mais rápido de Cabo Verde se resolveriam. E seria o caminho mais curto para inverter o estado de dependência crónica do país”, defendeu.

O 8º Fórum Mundial da Água, onde Cabo Verde se faz representar pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, pelo Ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, e pela ANAS (Agência Nacional de Água e Saneamento), encerra os seus trabalhos no próximo sábado.

 

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Com as melhores saudações,

António Alte Pinho
Coordenador do Gabinete de Comunicação e Imagem
Câmara Municipal de Santa Catarina


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