Situação socioeconómica

Antes da proclamação de Santa Cruz como Concelho não havia nenhum tipo de infra- estruturação básica e nenhum tipo de serviço. Os Santa-Cruzenses viviam numa dependência total da Cidade da Praia.

Com a elevação de Santa Cruz à categoria de Concelho o mesmo começou a ganhar a sua autonomia e lançar-se na senda do desenvolvimento. Cresceu quanto ao número de residentes (devido ao seu potencial agrícola e vocação marítima) e pouco depois, Pedra Badejo, zona de maior concentração de pessoas, ascende à categoria de Vila. 

Hoje, a realidade do Concelho e da Cidade de Pedra Badejo é bem diferente, quer pelo aumento da população e expansão urbana, quer pelas infra-estruturas a nível de formação e grau de civilidade das pessoas.
 

Habitação

A Cidade de Pedra Badejo, hoje sede do Concelho de Santa Cruz, surgiu de forma espontânea, sem planificação. Foi a partir dos anos noventa (90) que as autoridades municipais começaram com as primeiras inicitivas de planeamento na localidade de Achada Fátima. De acordo com o perfil de 2012, o Município contava nessa altura  com projectos de planeamento nos seguintes bairros: Achada Vigia, Ilha, Bela Vista e Cruzeiro, Achada Fátima, Ponta Achada, Achada Fazenda, Terra Branca,etc. A Cidade estava  em franca expansão, mas de forma planificada, ao contrário do que acontecia no passado. A falta de planificação tempestiva afectou negativamente os bairros mais antigos da Cidade, tais como Cutelinho, uma parte da localidade de Porto Abaixo e Porto Acima, Bela Vista, Salina e Ponta Achada. Já na zona de Achada Fátima é bem patente os resultados do planeamento e da urbanização. Aliás, é a zona onde concentra as principais infra-estruras do Concelho.

A tipologia das habitações varia conforme o local em causa. Nas zonas de produção agrícola, as casas são do tipo tradicional, construídas com pedra e cobertas de colmo, lusalites, telhas e, atualmente, de betão armado, isto, nos compartimentos principais. O colmo, antes vulgarmente utilizado na cobertura de compartimentos complementares, cozinha e casas de animais, vai dando lugar a cobertura de betão devido, por um lado, à escassez do colmo e, por outro, às novas práticas de construção adoptadas, um pouco por todo o lado.

Já na Cidade de Pedra Badejo, a tipologia é variável.

Na Cidade ainda encontramos edificações antigas, construídas à base de pedra basáltica que outrora dominaram pela sua arquitectura frondosa e que de momento precisam de ser reabilitadas. No passado as casas eram construídas somente de pedra e a cobertura era feita de palha e o chão era de terra batida. Somava-se à casa um quintal que ficava na parte traseira e que servia como cozinha e criação de animais domésticos. A estas casas chamavam-se “casa de palha”. Atualmente as famílias, por mais pobres que sejam, procuram substituir as coberturas de palha (que hoje são raras) por cobertura de madeira e lusalite ou betão armado. 

Em matéria de habitação social o Município tem mobilizado recursos para fazer face ao Planeamento da Cidade, incluindo a melhoria das casas degradadas pertencentes às famílias menos possidentes, sendo o serviço técnico responsável pela materialização dessas políticas, o SAMUO. Tem havido pequenos projectos de reabilitação de habitação social nos diferentes povoados e bairros da Cidade e do Concelho em geral visando fazer face a uma grande demanda em matéria de melhoria das habitações.

O Projecto “ Casa para todos” é um programa do Governo Central que tem cooperado com os Municípios em matéria de reabilitação de casas degradadas, do qual a Câmara Municipal de Santa Cruz tem beneficiado juntamente com outos municípios do País. Ainda, existe o Projecto “Operação Esperança”, também liderado pelo Governo, que é executado pelas associações comunitárias dos Municípios. As autoridades municipais não têm poupado esforços na mobilização de parceiros que possam colaborar em projectos de reabilitação e requalificação urbanas de grandes dimensões.

As ONGs como a SOLMI, OMCV, BorneFonden, e outros parceiros, nomeadamente a Cooperação Portuguesa (através do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento--IPAD), HABITÁFRICA, etc, têm igualmente contribuído em acções dessa natureza.

Embora tenha o Município de Santa Cruz mobilizado parcerias e recursos em prol do desafio de reabilitação de casas degradadas, ainda continua sendo o desafio principal dentro da sua atividade a reparação dos tectos das casas, rebocos, pintura das mesmas, arruamento, calcetamento das ruas, etc.

De acordo com os dados do QUIBB 2007 cerca de 88,6 % das famílias possuíam habitação própria, valor que se situa acima da média nacional, que era de 69,8%. De acordo com o Censo de 2010 houve um aumento de 0,3 % (passou para 88,9 % a percentagem de famílias com casa própria). Se esse número é reconfortante, já não se pode dizer a mesma coisa quando a pergunta é “qualidade de habitação”. A precariedade habitacional traduz-se em cerca de 44 % de casas que não possuem condições de habitabilidade (INE-QUIBB 2007)

 

Agua

A água consumida no concelho de Santa Cruz advém maioritariamente (82%) de uma complexa rede de furos. Contudo, existem também diversos poços cujo caudal de fornecimento é reduzido, pelo que a nível global o seu efeito é pequeno. Esses furos abastecem não só as diversas localidades do concelho como também são utilizados para a regra nas atividades agrícolas.

A maioria desses furos está localizada junto às seguintes ribeiras: Ribeira Seca, Ribeira da Montanha, Ribeira dos Picos, Ribeirão Seco, Ribeira de Santa Cruz, Ribeira da Boaventura e Ribeira de Salto. 

As zonas de Rebelo, Serelho, Ribeira Seca e São Cristóvão são abastecidas com recurso a autotanques e a acumulação de água para distribuição é feita com recurso a reservatórios.

O consumo per capita de água é bastante variado dentro do concelho. Se na cidade varia entre os 44 e 50 l, nas zonas do interior pode situar-se entre os 12 e os 15l. Embora a cidade de Pedra Badejo tenha água na rede todos os dias, o tempo que dura não ultrapassa as 5h diárias. 

Os reservatórios destinados a armazenar água são insuficientes para servir as necessidades do concelho. No entanto, já está construído um reservatório com capacidade para 1.000m3, o que poderá minimizar a situação.

 

Saneamento

A rede de esgotos de Pedra Badejo já está construída e cobre quase a toda a cidade, que também possui uma ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) localizada em Rocha Lama. A localidade de Achada Fazenda possui também uma rede de esgotos que, no entanto, está ligada a uma fossa séptica comum.

O PDM de Santa Cruz cita o QUIBB 2007 segundo o qual 44,6% dos alojamentos do concelho dispõem de casa de banho com retrete (56,2% a nível nacional) e 50,5% sem retrete ou latrina (35% a nível nacional). Segundo o PDM, esta situação tem contribuído para a degradação permanente da qualidade do ambiente e da saúde pública.

A recolha do lixo faz-se apenas em algumas localidades e de forma ineficaz dado a insuficiência de meios materiais como contentores, camiões, equipamentos, etc. O lixo é queimado depois a céu aberto numa lixeira municipal, próxima de aglomerados populacionais, e no caminho de acesso a uma das enseadas mais lindas do concelho, ou mesmo do país: Porto Fundo. A situação da recolha e tratamento do lixo em Santa Cruz necessita de grandes
cuidados e melhorias.
 

Saúde

O Sector da Saúde no Município teve ganhos consideráveis em 2010. A entrada em funcionamento do laborário de análises clínicas em 2010 veio não só reduzir o tempo de espera mas também, os custos associados à realização das análises bem como aumentar a capacidade de resposta do Hospital de Pedra Badejo em termos de meios auxiliares de diagnóstico.

O Centro de Saúde dispõe atualmente de uma psicóloga que, de entre várias atividades de apoio e atendimento, faz o acompanhamento dos toxicodependentes, os doentes do VIH-SIDA, mas também às pessoas que chegam ao Centro com doenças derivadas do consumo excessivo do álcool, um dos graves problemas do Município.

A promoção da Saúde, sobretudo dos cuidados primários da saúde, não deve ser da responsabilidade exclusiva das autoridades e agentes da saúde, mas sim de toda a sociedade civil organizada, parceiros e comunidade em geral. Num País com poucos recursos para arcar com os custos da saúde importa mais agir na prevenção do que no tratamento das doenças. 
 

Educação

 A rede educativa é composta por um total de 61 estabelecimentos de ensino, em que 36 servem o Pré-escolar e 24 escolas o Ensino Básico Integrado, distribuídos por 13 Polos educativos e uma Escola Secundária. 

O concelho possui atualmente, uma única escola secundária que acolhe os alunos de todas as localidades e um Centro de Formação Profissional que forma operários, essencialmente para o mercado da construção civil.
 

Pobreza

A situação da pobreza em Santa Cruz continua a ser preocupante pese embora uma redução da taxa da mesma de 58.4% em 2002 para 46.6% em 2007. Anteriormente a incidência da pobreza recaía sobretudo nas mulheres desempregadas e chefes de família. Contudo, reduziu-se a taxa por mais de 10 dígitos percentuais depois de inúmeras intervenções ao seu combate. A pobreza no meio rural porém, continua a ter vestes femininas querendo isto dizer que o género é o principal vítima. Pelo estudo realizado nas comunidades deixa transparecer que as categorias sociais mais vulneráveis à pobreza, genericamente, são as seguintes:

- Os agricultores e camponeses;

- Os trabalhadores desqualificados e com empregos precários;

- Trabalhadores de média idade, despedidos ou cujo trabalho avulso insuficiente para sacá-lo da pobreza;

- Desempregados de longa duração e com baixo nível de escolaridade, incapazes de

encontrar um segundo emprego;

- Idosos pensionistas;

- Mulheres chefes de famílias e em situação de monoparentalidade;

- Famílias numerosas cujo chefe é a mulher e em situação de desemprego;

- Jovens de vícios e com comportamentos desviantes;

- Crianças, sobretudo, órfãs ou pertencentes a famílias monoparentais e disfuncionais;

- Indivíduos portadores de deficiência e incapacidades;

- Doentes crónicos cm paralisia e doenças raras ou sexualmente transmissíveis. 

De acordo com os resultados definitivos do III Inquérito às despesas e receitas familiares, perfil da pobreza, apresentados pelo INE, em 2017 Em termos de distribuição por região 59% dos pobres vivem na ilha de Santiago e Santa Cruz é o concelho com maior percentagem de pobreza   cerca de 60,3% de acordo com dados INE 2015 

 

 

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