Situação socioeconómica 

Santa Catarina é um concelho predominantemente rural (86% da população vive em áreas rurais e 14% vive na zona rural).

O concelho está localizado em uma região onde se regista uma forte procura do ensino secundário e superior e de formação profissional o que pode ser muito importante para qualificação da mão-de-obra local e, consequentemente, desenvolvimento económico do Concelho, isto, se os recursos humanos foram bem aproveitados. 

 

 Habitação

O Município de Santa Catarina, tem um elevado défice Habitacional de cerca de 4000 fogos e a situação de insegurança habitacional em que vivem mais de 2000 famílias e convivem com uma elevada procura de lotes para construção urbana, mormente por um segmento importante e famílias sem capacidade financeira para construção de habitação própria, mas também com a especulação imobiliária urbana na venda de terrenos no concelho e um segmento importante de procura de habitação económica.

A crise social e a desigualdade de renda expulsam constantemente, ainda que não de forma explícita, a população mais pobre das áreas equipadas e bem servidas de infraestrutura, resultando na contínua ampliação e adensamento loteamentos precários e irregulares de periferia.

Atualmente, a nível dos tipos de habitação do centro urbano da Assomada, destacam-se duas situações extremas. Por um lado, nos últimos anos, tem aumentado consideravelmente o número de habitações de padrões elevados, com técnicas e materiais importados, pertencentes às camadas da população com maiores rendimentos, quadros superiores, dirigentes políticos, comerciantes e emigrantes que no geral ocupam as zonas mais consolidadas da cidade e dotadas de melhores infraestruturas. Por outro lado, confirma-se cada vez mais a tendência do surgimento de habitações construídas através de um processo tido “ilegal”, com poucas condições de habitabilidade e que ocupam zonas geralmente carentes em infraestruturas de saneamento básico e de equipamentos públicos. Estas estão ocupadas pelos extratos mais vulneráveis da população que vivem, na generalidade, com fracos recursos económicos

As diferenças de rendimento existentes nas famílias de Santa Catarina destacam as desigualdades sociais acentuadas e com tendência a crescer, cuja consequência é a definição de um padrão de habitabilidade diferenciado consoante o nível de rendimento. 

 

Água 

No concelho de Santa Catarina, a ligação à rede pública de água abrange apenas 45,2% dos alojamentos, abaixo da média nacional que é de 54,4%. A energia eléctrica atinge 66,0% dos alojamentos (média nacional: 80%) e as instalações sanitárias fazem parte de apenas 51,0% dos mesmos (média nacional: 63%). No que se refere às instalações de banho ou duche (banheira com chuveiro), apenas 39% dos alojamentos possuem essas instalações (média nacional: 44%). O acesso à água melhorou muito nos últimos anos, porém, apenas 45,2% dos alojamentos estão ligados à rede pública de água.

O acesso à água potável, seja através de rede pública, seja através de fontenários ou outras formas de abastecimento, melhorou significativamente nos últimos anos e, em 2007, já atingia 80,9% da população da população. 
 

Saneamento

A evacuação de águas sujas continua sendo um dos grandes problemas do concelho onde cerca de 51% dos alojamentos do concelho têm o sistema de evacuação de águas residuais através da fossa séptica e, via rede pública de esgoto, essa percentagem é quase nula. Grande parte das águas residuais e dos resíduos sólidos é deitada à beira das habitações ou abandonadas directamente na natureza.

Na cidade de Assomada, a limpeza urbana e a recolha de resíduos são efectuadas, porém, com muitas deficiências. Não existe, também, um serviço público de transporte urbano. A ligação entre os diferentes bairros da cidade e do concelho é efectuada através de viaturas privadas, os denominados hiaces e táxis. 

 

Gestão de Residios 

A gestão correta dos resíduos sólidos em Cabo Verde tem merecido a atenção dos sucessivos governos, tanto a nível das leis que regulam esta atividade como também de recursos humanos e materiais. Apesar dos investimentos feitos, tanto pelo governo central como pelas autarquias, registam-se ainda muitas insuficiências, tais como: equipamentos obsoletos ou muito degradados, inexistência de infraestruturas adequadas, de recolha e tratamento de dados e recursos humanos capacitados e motivados.

No concelho de Santa Catarina a evolução na gestão de resíduos sólidos não evoluiu como seria de esperar e nem correspondeu às expectativas da população.

Em 2003, a quando da elaboração do Plano Nacional de Gestão de Resíduos 2004-2014, a literatura dispersa, estimava-se o total de 157.680 toneladas anuais de resíduos sólidos gerados, repartidos entre a fração urbana, industrial e hospitalar. (Ministério do Ambiente, 2003).

O mesmo Plano, citando o Recenseamento Geral da População e Habitação do ano 2000 e os dados fornecidos pelas câmaras, diz: “o concelho de Santa Catarina1 alberga 49.829 pessoas, tem uma taxa de cobertura de recolha de resíduos sólidos na ordem dos 14%, a mais baixa taxa nacional, com apenas uma viatura com sistema de compactação, não existe dados disponíveis sobre o número de contentores, papeleiras e carrinhos de mão (veja o quadro 6.4.1, versão 1 do Plano Nacional 2004-2014).

Durante a elaboração do plano em 2003 conclui-se que em Cabo Verde gerava-se aproximadamente 92.000 ton/ano de rsu, a taxa média de cobertura dos serviços de recolha era de 62%, recolhia-se um total de 57.016 ton/ano e cada cabo-verdiano servido originava 0,58 kg/dia de rsu.

O município de Santa Catarina contribuía com 7.956 ton/ano de resíduos, servindo 41% da sua população, e cada pessoa gerava 1,067 kg/dia de resíduos sólidos.

 

Saúde

A nível da Região Sanitária Santiago Norte que inclui o concelho de Santa Catarina o sector da saúde tem evoluído bastante tanto em termos de equipamentos de saúde quanto em termos de recursos humanos e financeiros, não obstante, alguns desafios em matéria de capacidade de resposta as demandas aos Hospitais e Centros de Saúde.

Um dos grandes empreendimentos no sector da saúde a nível da região foi a construção do Hospital Regional Santa Rita Vieira que trouxe impactos directos na vida população aliviando o Hospital Central da Praia a maior do país.

A respeito do sector da saúde ser maioritariamente tutelado pelo poder central através do ministério da saúde, as autarquias locais também tem responsabilidade nessa matéria e devem desenvolver programas e projetos que visam aumentar a cobertura da saúde a nível local para 100% da população.

No que tange ao concelho de Santa Catarina em particular quando comparado com outros concelhos importante do país verificasse que a situação não é tão preocupante não obstante os desafios existentes em matéria de capacidade de resposta a todas as demandas da população. Analisando os últimos dados do sector da saúde produzido pelo ministério da saúde em matéria de orçamento canalizado para o sector da saúde do concelho constata-se que o valor chega aos 40 milhões de escudos oriundos do orçamento do estado, mais cerca de 15 milhões de escudos geradas pela própria delegacia.

Em matéria de recursos humanos que trabalham no sector Santa Catarina quando comparado com os outros concelhos do país constata-se que o mesmo encontra-se bem servido, dispondo em 2015, de 42 médicos 56 enfermeiros para atender uma população de aproximadamente 52 mil habitantes. Portanto cercar de 12 médicos para cada 10.000 habitantes. Tendo em conta os recursos que o país dispõe acredita-se que esses números são interessantes e permite atenuar as necessidades existentes no sector de saúde do concelho .

Em termos de taxa de mortalidade geral percebe que o concelho regista uma evolução de 5,6% em relação ano anterior apresentado um total de 254 óbitos no ano de 2015.

Entre as principais causas de morte está relaciona com aparelho circulatório, sintomas mal definidos, tumores ou neoplasias e, aparelho respiratório como demostra a tabela abaixo. Portanto, considera importante implementar acções que visam minimizar essas doenças no concelho.

Uma das doenças preocupantes que tem desafiados os médicos por que ainda não tem cura, tem atingido de forma significativa a população do Concelho de Santa Catarina. Segundo os dados do relatório do ministério da saúde Concelho está em segundo lugar em matéria de pessoas infectadas com vírus de VIH-SIDA, perdendo apenas pelo município da Praia que está em primeiro lugar e São Vicente segundo lugar. Portanto, considera-se urgente medidas nesse sentido visando prevenir novas infecções por essa doença que na sua fase terminal geram muitos custos para o sistema nacional de saúde. 

 

Educação 

os dados referentes ao nível de ensino da população residente no concelho em 2010, verifica-se que o nível de ensino com valores percentuais mais significativos era o ensino básico (40,3%), seguido pelo ensino secundário com 32,0% e sem nível de instruçao17,0%, respetivamente. Já no que se refere ao Ensino Superior (3,8%) e o curso médio 0,9% registavam valores ligeiramente inferiores. Deste modo, e numa análise comparativa com os valores registados em 2000, verifica-se um decréscimo da população residente com o ensino básico, bem como um aumento dos valores associados ao ensino secundário e, particularmente, ao ensino superior

A rede educativa existente no concelho de Santa Catarina no ano letivo 2015/2016 abrange desde educação pré-escolar ao ensino secundário,

técnico profissional, cursos superiores profissionalizante e superior, lecionados em instituições pertencentes à rede pública e privada.

No ano letivo de 2015/16, o concelho contava com 14634 estudantes.

A taxa de Acolhimento do pré-escolar era, em 2015/16, de 97,3%; a percentagem de retenção no básico era de 8,4% - apesar de tudo o valor abaixo da nacional – e 66,1% transitavam ou terminavam o secundário. A taxa líquida de escolarização no ensino básico era de 90,9% e 71,8% no ensino secundário e a taxa bruta de escolarização era de 101% e 93.8% respetivamente.

Relativamente às áreas de formação enquadradas no ensino profissional em 2015/2016, predominaram os formandos nas áreas de saúde (18,1%), agronegócio (10,6%), tecnologia de informação geográfica e territorial (9,9%), apresentando-se igualmente estas áreas como dominantes no ano letivo precedente. A nível do ensino superior os cursos com maior número de formandos foram os cursos de direito (21,1%), educação básica inicial (20.8%), e enfermagem com (13,5%).

 

 

Pobreza

O Município de Santa Catarina, situado na Ilha de Santiago de Cabo verde., é o terceiro maior concelho de Cabo Verde, com aproximadamente 50.000 habitantes, dos quais de cerca de 38, 2 % são pobres acordo com dados INE de 2016.

 

 

O Concelho de Santa Catarina é, em termos demográficos, económicos e agrários, um dos mais importantes do País.

 

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