São Felipe

 

Situação socioeconómica
 
Habitaçao 
 
A cidade de São Filipe ainda apresenta um núcleo histórico onde dominam os antigos sobrados com alguma imponência na paisagem urbana. A decadência da actividade agrícola enquanto suporte da economia da ilha e do poder dos terratenientes, em consequência dos vários anos de seca, reflectiu na degradação dessas habitações. A situação se agravou ainda mais quando, à data da independência, muitas famílias brancas abandonaram a ilha e migraram para Portugal.
 
A expansão urbana, ligada ao êxodo rural iniciado na década de setenta do século XX, teve efeito no crescimento sobretudo da periferia, zona alta da cidade, com o crescimento de bairros espontâneos. No caso especifico de São Filipe as famílias rurais detentoras de recursos provenientes das suas terras e muitas vezes com remessas de elementos emigrados nos Estados Unidos da América construíram casas com relativo conforto, que destacam pela sua volumetria na paisagem desses bairros periféricos. No fundo, as famílias pobres oriundas da cidade e que não têm terras rurais são as que ocupam as habitações mais humildes como é o caso do Beltchés, um bairro de pescadores e moradores em São Filipe por várias gerações.
 
A emigração da ilha do Fogo orienta-se preferencial¬mente para os Estados Unidos da América e a preo¬cupação maior destes emigrantes é levar também os familiares, reflectindo numa menor dinâmica do cres¬cimento urbano no final do século XX. Actualmente, além de mandar remessas aos familiares constroem as suas próprias habitações na terra natal, pois já regres¬sam para férias, tirando benefício da modernização dos transportes, sendo que alguns retornam e se dedicam ao comércio, hotelaria e restauração. Muitos destes emi¬grantes são de zonas rurais, mas ao regressar edificam as suas casas na cidade de São Filipe. Esta dinâmica tem contribuído muito para o alargamento da cidade e as construções ganham alguma imponência nos novos bairros, sobretudo na Achada São Filipe e na zona de Xaguate.
 
Na cidade de São Filipe não existem bairros de barracas nem materiais precários, no entanto, ainda existem algumas casas antigas cobertas de bidon. As construções mais humildes são feitas pelos próprios moradores com ajuda de familiares e amigos. Geralmente, apresentam carências ao nível de equipamentos urbanos como liga¬ção à rede de água e energia, esgotos e pavimentação das ruas.
 
Em regra, nos bairros espontâneos da cidade de São Filipe as habitações seguem a arquitectura típica do espaço rural da ilha, mas apresentam um nível de conforto e acabamento muito superior aos bairros similares dos grandes centros urbanos como a Praia e o Mindelo.
 
Água
O abastecimento de água constitui um dos grandes problemas de Cabo Verde tanto no espaço rural como nos centros urbanos. Na cidade de São Filipe o abastecimento de água é assegurado pela concessionária Municipal - a empresa intermunicipal AGUABRAVA (Empresa Intermunicipal de Águas do Fogo e da Brava S.A.) criada a 31 de Dezembro de 2001. As melhorias registadas sobretudo nos centros urbanos permitem às famílias um maior acesso à água potável. De acordo com os dados do Censo de 2010, no Concelho de São Filipe 59,9% das casas estavam ligadas à rede pública o que representa uma taxa superior aos 54,4% que representa a média nacional. Na mesma data 68% das casas possuíam instalações sanitárias; 43% tinham banheira com duche ou com chuveiro. No entanto, a cidade não possui rede de esgotos, e 70% das famílias usam o sistema de fossa séptica. Em meados do ano de 2010, 69% das casas estavam ligadas à rede eléctrica, muito abaixo da média nacional (80%). Como acontece nos bairros espontâneos o roubo de energia constitui um problema de ligação aos domicílios, mas na cidade de São Filipe constitui um comportamento residual.
 
 
Saneamento
A Câmara Municipal possui um contentor incinerador para os resíduos sólidos. No entanto, esse equipamento tem mostrado algumas dificuldades na sua manutenção. Está em perspectiva a construção de um aterro sanitário para toda a ilha com a participação dos outros dois municípios. Os resíduos líquidos domésticos apresentam maior problema porque a cidade não possui rede de esgotos pelo que são vazados ao ar livre, o clima seco da ilha tem eliminado naturalmente esses efluentes.
 
 
 Saúde
A gestão da rede de saúde pública é assegurada pela Delegacia de Saúde de São Filipe, pelo Hospital Regional de São Filipe que também cobre toda a ilha do Fogo e a ilha Brava.
 

Educação
 
No Concelho de São Filipe o Sistema de Ensino se encontra estruturado da seguinte forma (Anuário da Educação 2010/2011):
Pré-Escolar, com 113 crianças em 28 jardins infantis que funcionam com 56 salas, sob a orientação de 67 profissionais (25 orientadoras e 02 monitores), geridos pela Delegação do MED, pela Câmara Municipal e por privados;
Ensino Básico Integrado (1ª a 6 ª classe), funcionando com 165 turmas em 100 salas de aulas espalhadas por todas as localidades do Concelho. A este nível o Concelho conta com um total de 3704 alunos, sob a orientação de 171 professores (97 professoras e 74 professores), sendo apenas 11 sem formação.
Ensino Secundário funcionando no Liceu Dr. Teixeira de Sousa e nas Escolas Secundarias de Ponta Verde e de Curral Grande, que dão cobertura a todas as necessidades do concelho nesta matéria. O Liceu Dr. Teixeira de Sousa, com 59 turmas a funcionar em 30 salas, alberga um total de 2025 alunos e 96 professores. A Escola de Ponta Verde funciona com 173 alunos agrupados em 5 turmas a funcionar em 5 salas e escola de Curral Grande com147 alunos agrupados em 4 turmas, sob a orientação de 6 professores .(Perfil Urbano de São Filipe).
 
 
 
 
 

No município de São Filipe fica situado o porto de Vale de Cavaleiros e o aeródromo de São Filipe, as principais portas de entrada da ilha do Fogo.

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