São Felipe

 

O Município

A cidade de São Filipe corresponde a um núcleo urbano de aspecto compacto com  desenvolvimento em anfiteatro, numa pequena rechã sobre uma arriba vigorosa, no flanco sudoeste da ilha do Fogo. O crescimento da cidade foi muito condicionado pelos barrancos estreitos e vigorosos da Ribeira Trindade a Norte e da Ribeira de São João a Sul. O surgimento da cidade bem como o seu nome remontam aos primórdios do povoamento da ilha, entre os finais do século XV e inícios do século XVI. Recordamos que São Filipe também foi nome da ilha do Fogo, nos primeiros tempos do povoamento. 

O Santo Padroeiro da ilha e da cidade era comemorado no dia 1º de Maio juntamente com São Tiago Menor, no calendário Juliano, data mantida na ilha do Fogo apesar da reforma gregoriana. A escolha do local para a instalação da cidade poderá ser associada ao abrigo aos ventos dominantes do NE, assegurada pela vigorosa arriba costeira, favorecendo a instalação do porto e, em paralelo, o lugar altaneiro as segurava a defesa de eventuais inimigos provenientes do mar. As correntes costeiras constituíram um grande problema, mas a situação foi há muito resolvida através da migração do ancoradouro entre a Praia de Nossa Senhora e Vale do Cavaleiros (ou “Barca-Baleeira” se gundo a designação popular). A arreigada tradição do culto mariano na náutica portuguesa e na denominação portuária na data do povoamento das ilhas deixa pistas de elevada probabilidade da praia de Nossa Senhora ser o porto inicial onde se faziam embarques de algodão e de cavalos para as trocas comerciais com a costa de Guiné, e por onde também entravam escravos que cuidavam do cultivo das terras e da criação do gado.

A decadência do comércio com a costa da Guiné durante o século XVII, como consequência da perda de importância na rota do comércio triangular, deixou a ilha do Fogo, assim como a vizinha ilha de Santiago, entregue à maior miséria. Entretanto, muitas das famílias ilustres da cidade da Ribeira Grande de Santiago já tinham migrado para a ilha do Fogo onde tinham fazendas. 

Assim como a ilha de Santiago, até finais do século XIX o sistema de propriedade de terras em regime de morgadios e capelas manteve uma grande clivagem entre os brancos da terra (os terratenientes), os negros escravos e os negros alforriados, que viviam na dependência da classe dominante. Este cenário extremo, por vezes, era atenuado por uma classe de mulatos que viviam numa espécie de transição entre os terratenientes e os negros sem terra. Sendo um dos mais antigos núcleos urbanos do arquipélago, e o mais antigo que manteve a capitalidade sem interrupção, a malha urbana reflecte em tudo a sua origem no período escravocrata. O antigo centro

histórico apresenta a cidade dos sobrados, “Bila Baixo”, antiga residência da classe dominante de terratenientes e ilustres comerciantes e administradores, a Igreja Matriz, casa da Câmara Municipal e a praça. Os bairros dos pobres, mulatos e negros desenvolvem na zona alta e periféricas e com o tempo atravessam as ribeiras da Trindade e de São João pela Achada de São Filipe onde estão os cemitérios também separados (em cemitério de brancos e cemitério de pretos).
 

Criação

São Filipe foi elevada à categoria de cidade pelo Conselho Legislativo Colonial em 1922 (B.O. nº28 de 1922), mas o seu crescimento foi muito lento durante o século XX, mantendo sobretudo as funções de centro de administração, porto de entrada e saída de produtos da ilha, local de trocas comerciais, numa ilha dominada pela agricultura e ruralidade.

Em 1954, Orlando Ribeiro (pag.160) descrevia a cidade de São Filipe como “uma pequena e tranquila vilória de 2000 habitantes, meia dúzia de casas comerciais, alguns largos para onde deitam as varandas dos melhores sobrados, a praça da Câmara Municipal, edifício sem estilo mas com dignidade, onde está o coreto para a música, igreja aberta para um adro espaçoso, hospital, mercado, uma miniatura de jardim debruçada sobre a arriba em frente da silhueta, ao mesmo tempo grácil e austera, da ilha Brava, sede de administração, aí vivem também as pessoas principais da ilha”. 

 

 Localização Geográfica

O município de São Filipe situa-se na parte sul da ilha do Fogo e localiza-se no sul do arquipélago de Cabo Verde. Fogo faz parte do grupo das ilhas de Sotavento conjuntamente com as de Santiago, Maio e Brava. Situa-se a 60 milhas marítimas da Cidade da Praia, o que corresponde a 25 minutos de voo e a 9 milhas da Ilha Brava.

O município de São Filipe tem uma área de 391 Km2, o que corresponde a mais de ¾ dos 476 Km2 da área total da Ilha, correspondente a 9% da área total de Cabo Verde.

 

População 

De acordo com o Censo de 2010, a população do concelho de São Filipe era 22.248 sendo 36,6% urbano e 63,4% rural, um baixa urbanização considerando que, na mesma data, 61,8% da população do país era urbana.

Segundo os dados do Censo de 2010 a população activa no Concelho de São Filipe era de 7318 indivíduos (54,4%). Havia 698 desempregados, 6726 inactivos e uma taxa de desemprego de 8,7%, valor inferior à taxa nacional que era de 10,7%. Na vivência quotidiana manifesta-se uma elevada desocupação dos jovens. Na conversa informal persiste a ideia de um desemprego generalizado na camada juvenil.

Em 2017 a população de S. Filipe era de 20.852 sendo 48,6% Mulheres e 51.4% Homens.

 

No município de São Filipe fica situado o porto de Vale de Cavaleiros e o aeródromo de São Filipe, as principais portas de entrada da ilha do Fogo.

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