“HISTÓRIAS DA HISTÓRIA DE SANTIAGO” APRESENTA-SE EM ASSOMADA

CÂMARA MUNICIPAL DE SANTA CATARINA DE SANTIAGO

GABINETE DE COMUNICAÇÃO E IMAGEM

 

 

Prezado/a Jornalista

“Histórias da História de Santiago”, o mais recente livro do escritor e jornalista Nuno Rebocho, apresenta-se esta quarta-feira, 23, ao público de Assomada. A obra literária, de investigação histórica, que conta com fotografias de Tó Gomes, é apresentada pelo professor José Maria Semedo, com vários estudos e investigação já publicados na área do património desta nossa ilha de Santiago. Um ato público que acontece, a partir das 16h00, no Centro Cultural Norberto Tavares.

Factos marcantes da história da Ribeira Grande de Santiago são passados em revista neste livro: o porquê dos ataques corsários e o seu relacionamento com a crise dinástica em Portugal em 1580 (as lutas do Prior do Crato contra Felipe II) e a dominância do arquipélago crioulo pela Companhia do Grão-Pará e Maranhão, são disso exemplos. Importantes dados sobre a Irmandade dos Homens Pretos de Nossa Senhora do Rosário e a “visita” a uma das mais antigas tabankas da ilha de Santiago – a Tabanka do Salineiro – completam uma investigação que carreia significativos elementos para a importante e rica história de Cabo Verde.

À laia de justificação do autor

Durante os anos que vivi na ilha de Santiago (Praia e Cidade Velha) dediquei-me a alguns estudos sociológicos, etnográficos e históricos que apenas se destinavam a fazer-me compreender alguns fenómenos e destruir lendas e mitos que, a seu respeito, se foram criando e generalizando. A preguiça mental costuma ser má conselheira e má “professora” – apesar dos erros que suscita - e tem extrema facilidade em galgar muros e mundos.

As dificuldades de encontrar documentação que balizasse as matérias por que me interessava levaram-me a procurar o porquê dos vocábulos crioulos que as bandeiravam. Tal obrigou-me a estudar o crioulo (até pelas necessidades das funções que desempenhava – assessor de uma Câmara Municipal) e a deduzir nele o percurso que as palavras percorriam. O crioulo configura uma associação de ideias que, bem entendida, traz a história de cada fonema e aponta para a sua origem – é o melhor instrumento documental que se pode encontrar.

Indo de dedução em dedução, julgo ter achado possíveis pistas para a compreensão da riquíssima história cultural do “povo das ilhas”. Poderão ser contributos para os que, sem se prenderem a tabus, se dedicarem a investigar os temas que abordei: os entendidos (historiadores e sociólogos) dispõem de melhores armas do que as minhas. De resto, Cabo Verde tem hoje um naipe de investigadores de enormíssima qualidade que, por completo, dispensa as deturpações que, por desgraça nossa, vão fazendo escola.

Entre o vulgo (é grave que o mesmo aconteça com os estudantes) há um total desconhecimento da história das ilhas. Ganhou-se a ideia errónea de que o cabo-verdiano é um “coitadinho”, esmagado pela pressão sua ascendência – a História de Cabo Verde ultrapassa, porém, a de “dez grãozinhos de terra perdidos no mar oceânico”, sem qualquer importância estratégica: está na encruzilhada de mundos, quase todos os episódios relevantes da Humanidade por ela passam. É uma gloriosa história a que, infelizmente, se não dá a devida importância.

Gostaria de ter tido tempo para me debruçar sobre outros aspetos que reputo importantes, como sejam os relativos ao papel de judeus e cristãos-novos nas ilhas ou dos jesuítas em Cabo Verde. Cheguei a tê-los como possíveis temas de trabalhos futuros. Com o meu amigo e investigador brasileiro Ademir de Barros colaborei num estudo sobre os Quilombos em África, que corre mundo – teve edição digital e prepara-se futura edição em livro.

Sem a cuidada e necessária preparação universitária, os trabalhos realizados não tiveram especiais ambições. Tive como inspiração Oliveira Martins: como eu, não era historiador. Por isso, escreveu históricos erros, muitos. Mas igualmente deixou importantes pistas, não desprezíveis ou desprezáveis.

Nuno Rebocho

Quem é Nuno Rebocho

NUNO REBOCHO nasceu em Queluz, em 1945, português, com algumas raízes moçambicanas – cresceu e estudou em Moçambique (Lourenço Marques, atual Maputo, e Beira). Foi jornalista, exercendo atividade na imprensa regional e nacional em Portugal e Cabo Verde, na imprensa especializada e na rádio - foi chefe de serviços da Informação Especial da RDP – Antena 1 e chefe de redação da RDP – Antena 2 (Rádio Cultura). Foi animador cultural (com intervenções na Bienal das Culturas Lusófonas, em Odivelas, nas Correntes de Escrita da Póvoa do Varzim e no VI e VII Encontros de Escritores da Língua Portuguesa), aprendiz de político e de sindicalista, tendo sido assessor de vários sindicatos e da Fundação Oliveira Martins. Empenhou-se na luta anticolonial e pela democracia durante a ditadura salazarista, tendo passado cinco anos nas masmorras da PIDE. Depois do 25 de abril, foi adjunto do Ministro das Obras Públicas, Habitação e Transportes no VI e VII Governos Constitucionais. Membro do conselho consultivo do MIL - Movimento Internacional Lusófono, da comissão consultiva da Fundação António Prates, adjunto cultural lusófono nomeado pela Korsang di Melaka e consultor da Fundação João Lopes. Depois de reformado em Portugal, decidiu regressar às suas raízes africanas, tendo fixado residência em Cabo Verde, onde desempenhou funções de assessor da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago. Como poeta e escritor tem mais de 30 livros publicados (poesia, entre outros, Nau da Índia, Arte de Matar, Canções Peripatéticas e Canto Finissecular), romance (A segunda vida de Djon de Nha Bia), crónica (Estórias de Gente), ensaios (entre outros, A Companhia dos Braçais do Bacalhau). Presente em diferentes antologias poéticas editadas em Portugal, Brasil, Espanha e Argentina. Nos últimos anos, tem-se dedicado à investigação histórica e sociológica.

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Com as melhores saudações,

António Alte Pinho
Coordenador do Gabinete de Comunicação e Imagem
Câmara Municipal de Santa Catarina


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