FOGO/ERUPÇÃO VULCÂNICA: CÂMARA RECONHECE QUE REALIDADE DE CHÃ É COMPLEXA E EXIGE COMPREENSÃO E COLABORAÇÃO DE TODOS

 

 

Com a passagem do quarto ano da erupção vulcânica, a Câmara Municipal de Santa Catarina (ilha do Fogo) reconhece que a realidade de Chã das Caldeiras, a localidade afetada, é um processo complexo que exige a compreensão e colaboração de todos.

 

“A realidade de Chã das Caldeiras exige a compreensão e colaboração de todos, dos poderes local e central, da população, da oposição e inclusive da comunicação social”, disse Alberto Nunes, presidente da autarquia de Santa Catarina, para quem “é necessário que todos entendam que se trata de um problema complexo e que exige recursos avultados num país e concelho com problemas de recursos”.

A reconstrução de Chã está sendo feita em função dos recursos, diz o autarca indicando, a título de exemplo, a construção e equipamento da adega provisória desde o início do mandato deste Governo, sublinhando que para um trabalho sustentado e com visão do futuro, era necessária a elaboração do Plano Detalhado de Chã das Caldeiras (PDCC) que já está em execução.

Os trabalhos que se impõem em Chã das Caldeiras, tendo em conta a especificidade desse local,  uma zona muito especial, comparado com as demais zonas do Fogo e de Cabo Verde, desde a primeira hora foi acertado que seriam realizados numa articulação entre o Governo e a câmara, no sentido de criar as condições dignas para as pessoas que habitam em Chã das Caldeiras.

“Os investimentos já feitos, os em cursos e os que irão surgir nos próximos tempos devem contribuir para normalizar a situação de Chã das Caldeiras, mas para isso a população tem de colaborar e fazer a sua parte. Devem entender que o concelho e o país não têm recursos suficientes para que todas as necessidades sejam resolvidas simultaneamente”, disse o edil ao ser abordado sobre a situação de Chã depois de quatro anos, tendo apelado “a compressão e a colaboração”, garantindo que tudo fará para que o tempo da resolução dos problemas seja cada vez menor.

Segundo o autarca, a articulação vai desde a emissão do licenciamento de terreno, passando pela construção, explicando que é nesta base que o Governo instalou um Gabinete, para que qualquer intervenção na Caldeira seja feita de forma científica e de acordo com o Plano Detalhado de Chã das Caldeiras.

Alberto Nunes indicou que está sendo investido 300 mil contos em rede viária para servir aquela comunidade, nomeadamente a via desde Campanas de Cima, no município e São Filipe, passando por Piorno (mosteiros) até Bangaeira (Chã – Santa Catarina) e a estrada que vai de Cova Tina a Bangaeira, passando por Portela.

Conforme explicou, este foi o valor dos contratos celebrados pelo Estado de Cabo Verde com a empresa que está a executar as obras, além de avultados recursos investidos no furo de prospecção de água e no seu equipamento, com a construção do jardim, entre outros.

“O que falta é o reconhecimento da população de que há esforço para com Chã das Caldeiras. Devem entender que o problema de Chã não pode ser resolvido num tempo como querem porque estamos num concelho com problemas de recursos e de mobilização de receitas, e inclusive Chã das Caldeiras não contribuiu, até agora, com pagamento de impostos nem para a câmara nem para o Estado”, lembrou, salientando que não há recursos para fazer todas as coisas que reivindicam em simultâneo, porque existem outras localidades e ilhas que não podem ser abandonadas para concentrar tudo em Chã das Caldeiras, que tem rendimento melhor que outras localidades.

Porém a degradação ambiental da maior área protegida de Cabo Ver, o Parque Natural do Fogo (PNF) com extracção de materiais (jorras e pedras) para execução dos projectos governamentais, nomeadamente da estrada Cova Tina/Portela/Bangaeira, é uma evidência e tem preocupado a população de Chã, sobretudo aqueles que são sensíveis para a questão da preservação do ambiente e da paisagem única dessa localidade.

O mais grave, no dizer da população é que o prevaricador é o próprio Governo que tem curso  dois projectos que dão sinais devastadores e de caracter irreversíveis para o ambiente, como a construção da aldeia de Bangaeira e citada estrada.

Alguns técnicos ligados ao sector do ambiente, mas que não quiseram ser identificados, indicam que a construção da estrada em apreço nem estudo de impacto ambiental tem, o que é grave para uma área protegida, mas o que mais preocupa é a instalação de uma pedreira nas proximidades de Monte Amarelo, que é uma zona de grande valor geológico para Chã das Caldeiras e que poderá pôr em causa todo o trabalho de sensibilização e preservação do ambiente que a direcção do Parque vem realizando há vários anos.

O professor e activista cultural, Fausto do Rosário, mostra-se solidário com a preocupação da população de Chã das Caldeiras e, segundo disse, apesar de leigo no assunto de ambiente salienta que é evidente a destruição de formações de inegável beleza e, quiçá, interesse científico, lembrando que a paisagem vulcânica de Chã não se resume no vulcão ou as crateras das duas últimas erupções, mas que “o majestoso paredão da antiga cratera, as escoadas lávicas e as intromissões fonolíticas/piroclásticas não podem ser deixadas de lado. Se depois da intervenção “humanizadora” tiverem desparecido, mais valeria que nada tivesse sido feito”, considera.

Tentamos auscultar as opiniões dos técnicos do Parque Natural do Fogo (PNF) e ligados ao próprio Ministério do Ambiente, que apesar de preocupados com a situação, escusam a fazer comentários ou emitir opiniões porque não estão autorizados a prestar quaisquer informações à comunicação social.

FONTE: SAPONOTÍCIAS

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