Estudo realizado pelo LEC mostra as fragilidades das infraestruturas hidráulicas face às mudanças climáticas

 Diques de captação, passagens hidráulicas nas estradas nacionais e municipais, cisternas de armazenamento de águas e barragens construídas ou em construção são as infraestruturas hidráulicas consideradas mais criticas face `as mudanças climáticas em Cabo Verde. Os dados são do estudo “Análise das Vulnerabilidades das Infraestruturas Criticas frente às Variabilidades Climáticas e às Mudanças Climáticas", realizado pelo Laboratório de Engenharia Civil, em parceria com a Unidade de Coordenação do Cadastro predial, socializado ontem na cidade da Praia.

O Estudo realizado no âmbito do Projeto Reforço da Capacidades de Adaptação e Resiliência às Mudanças Climáticas no Setor dos Recursos Hídricos em Cabo Verde abrangeu cinco concelhos São Lourenço dos Órgãos, Santa Catarina e Tarrafal, em Santiago e Porto Novo e Ribeira Grande na ilha de Santo Antão e vem mostrar as fragilidades das infraestruturas hidráulicas face às mudanças climáticas.

 Na avaliação das cheias, o estudo vem concluir que uma das infraestruturas mais afetadas pelas mudanças climáticas são os diques de captação e de correção, pelo fato de estarem localizados em zonas susceptiveis.

A segunda infraestrutura identificada como preocupante são as passagens hidráulicas nas estradas nacionais e municipais, salientou o Presidente do Conselho da Administração do Laboratório de Engenharia civil que frisou também que analisaram outras infraestruturas como as cisternas de armazenamento e distribuição de água e as barragens em construção e as já construídas.

Jair Rodrigues avança ainda que a primeira conclusão do estudo a ser discutida com o comité técnico tem a ver com a coordenação das diversas instituições em termos de implementação e construção dessas infraestruturas ligadas a água, porque como explica, “nós reparamos que na mesma área há uma falha de coordenação entre as diversas instituições e tem que haver uma visão mais coordenada dessas zonas de intervenção”. Uma outra questão deparada é a falha de uma legislação que proteja essas infraestruturas, principalmente no que toca aos furos de captação das águas e passagens hidráulicas.

António Querido, chefe da Unidade de Ambiente, Energia e Prevenção de Desastre Naturais das Nações Unidas que financiou o estudo, diz que há necessidade de se continuar a trabalhar no uso racional da água, porque as previsões das mudanças climáticas indicam uma diminuição da pluviometria. “ O uso racional da água é e sempre foi um desafio para Cabo Verde, mas com as novas tecnologias pode-se potenciar a utilização desse recurso”.

Querido alerta ainda para a necessidade de se avaliar a nível do pais outras infraestruturas consideras criticas que não sejam as hidráulicas, mas que poderão também vir a ser afetadas pelos riscos das mudanças climáticas.

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