“Educação para a transformação”

O controlo da qualidade, particularmente nas instituições de ensino superior, constitui um grande desafio para a educação, defendeu o director do Instituto de Cabo Verde e representante da Bridgewater State University (EUA) João Rosa.

Segundo o académico que foi apresentador, no ‘workshop’ “Educação para a transformação” enquadrado no II Fórum Nacional de Transformação “Cabo Verde 2030”, essa exigência deve ser feita particularmente no privado onde o Estado não tem controlo sobre o currículo e a equivalência de professores e dos alunos.

A nível geral, João Rosa realçou a importância das línguas utilizadas no ensino para assegurar que Cabo Verde não tem outro caminho senão o bilinguismo.

“É claro que o português é uma grande valia para Cabo Verde, mas como pessoa que vem da diáspora, acho que o português deve ser ensinado como língua segunda, porque há muitas crianças que não têm acesso ao português em casa ou na sua vizinhança, o que faz desperdiçar o seu potencial”, explicou.

No caso da comunidade cabo-verdiana nos Estados Unidos, vê como grande oportunidade estudar mais a fundo a cultura crioula para que os emigrantes possam ganhar com a integração na sociedade americana conhecendo e preservando a sua identidade.

Na opinião do académico, na área da educação os alunos cabo-verdianos nos EUA enfrentam problemas estruturais, destacando-se o défice cultural principalmente daqueles que partiram daqui muito pequenos e cujas referências não ajudam a integrar e a aproveitar o sistema americano, porque que não têm capacidade de assimilar a cultura do país selectivamente.

No seu caso, contou, chegou muito pequeno aos Estados Unidos, mas manteve o seu crioulo (da ilha de Santiago) e a sua cultura, tendo-se apropriado da língua inglesa e da cultura americana para o ajudar a integrar-se.

“É perfeitamente plausível e possível fazer isso”, admitiu João Rosa, assinalando que os desafios nesse país são os mesmos que os alunos cabo-verdianos enfrentam nos países industrializados.

“A dinâmica e a matriz são as mesmas, pelo que apostamos no desenvolvimento de uma base cultural bastante forte de conhecimentos sobre Cabo Verde, a sua história, a sua cultura e valores”, informou, para acrescentar que isso é que ajudará uma ‘assimilação’ apropriada dos valores da sociedade de acolhimento.

O II Fórum Nacional de Transformação termina sexta-feira, com a aprovação das conclusões finais, depois de três dias de debates em que participaram centenas de quadros e especialistas de vários países numa reflexão sobre o futuro de Cabo Verde no horizonte de 2030.

© www.anmcv.com - 2010
Dom DigitalProduzido por Dom Digital.
Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.